Você Decide
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by: marceloferrao
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Muito se pode dizer
sobre mundo. Podemos classificar o mundo de infinitas formas, mas de fato o
mundo que vivemos é feito de pessoas.
Tudo o que há a nossa
volta foi criado, classificado ou descoberto por pessoas. Quando algo novo
surge, uma pessoa classifica esse algo, estuda e, pouco depois, muitos concordam
ou discordam daquela visão. As formas da natureza não existem por conseqüência de
classificações, mas nós chamamos uma árvore de árvore. Damos formas e imagens
mentais a tudo que nos cerca.
Classificar e
qualificar não são algo ruim. Torna a comunicação humana prática em vários
aspectos. Principalmente quando abrimos espaço para outras qualificações e
classificações.
O conflito humano surge
da apropriação de idéias sobre as formas. Entramos em guerras tão somente por
qualificações distintas que temos sobre algo.
A atividade mais
corriqueira e frequente dos seres humanos é classificar coisas, pessoas e
situações. Essa forma de pensar se deve ao apetite monstruoso que a mente tem
em fazer exatamente isso: qualificar.
Estamos tão afoitos
nessa atividade, tão mergulhados nesse processo, que ficamos inconscientes de
que estamos sendo qualificados por outros, o tempo todo.
Quando apontamos um
dedo, podemos ter outros três apontados em nossa direção, ainda assim achamos
que nossa qualificação é a melhor.
Ainda caímos na
armadilha de tentar provar aos outros que nossa qualificação não é somente
melhor para nós, mas também deve ser melhor para os outros. A nossa mente criou
tanta certeza de nossos conceitos e é tão profundamente enraizada na verdade
pessoal que criamos, que nem percebemos o quanto de nossa própria vida nós estamos
desperdiçando.
Tornamo-nos obcecados,
num primeiro momento, em classificar as pessoas que amamos e as que odiamos.
Das pessoas que
amamos, queremos comprometimento com nosso modo de pensar e agir. Queremos que
elas sejam uma espécie de muleta, que nos equilibra em nossa própria falta de
auto-estima. Isso acontece em relações de todo tipo, desde familiares até
amizades.
Se alguém que amamos
age em conformidade com o que deseja realmente, fere nossas expectativas e
roteiro esquemático que idealizamos para ela. Ela estaria supostamente
abandonando o mundo ideal que criamos em nossa mente. Só que esse mundo ideal é
uma ilusão. É um mundo ideal fundamentado no medo de olharmos para dentro de
nós mesmos, medo de não gostarmos do que vamos ver.
Podemos tentar mentir
para o mundo e até para nós, mas não eternamente. Primeiro porque não somos
eternos, pelo menos nossa vida física não é eterna. Segundo porque as histórias
maniqueístas que criamos para fundamentar nossa realidade são insustentáveis.
Estamos em uma
profunda e inconsciente guerra dentro de nós mesmos, encontrando personagens
cruéis e contrastes, que mantém como refém nossa mente amedrontada. Todas as
pessoas que amamos ou odiamos, são personagens com idéias sobre o mundo, com
comportamentos que se adéquam ou não à nossa realidade.
A mente tenta nos
manter como reféns, primeiro projetando sentimentos fortes de certeza das
nossas observações, conceitos e opiniões. Temos certeza do que julgamos ser a
verdade.
Mas ainda fazemos
pior, qualificamos pessoas como menos que nós, numa escala de valores que tenta
estabelecer quem é certo, errado, quem é bom ou mau.
Quando decidimos que
alguém é qualificado ou não para nossa vida, vamos construir uma série de
mentiras, só para tentar fazer a verdade distorcida que criamos se sustentar
por mais e mais tempo. São mais paradigmas que criamos, inconscientemente.
Ninguém é totalmente
mau ou bom, ainda que alguns seres humanos sejam capazes de coisas terríveis.
As opções das pessoas
que amamos, não são nossas e não podemos controlar os outros. Não podemos
manipular ninguém, não para sempre. Primeiro porque o interesse de um
manipulador se extingue assim que ele consegue o que deseja, segundo porque o
manipulado acabará acordando.
Fingimos para nós
mesmos que ignoramos algo, quando é exatamente essa a armadilha da mente:
enganar-nos com a falsa crença de que estamos ignorando. Mas quando passamos um
dia inteiro pensando no quanto ignoramos algo, não estamos ignorando esse algo
nem um pouco.
Quando tentamos provar
a alguém o quanto um objeto, pessoa ou situação é adequada ou não para ela,
estamos sendo o contrário do que realmente desejamos numa origem bem
intencionada.
Não pensamos e agimos
dessa forma porque somos maus. Talvez pensar que somos maus seja o maior obstáculo
para olharmos dentro de nós mesmos. O medo de nos acharmos vis, cruéis,
mesquinhos e egoístas pode nos atordoar. Somos tudo isso, enquanto não nos
perdoarmos. Seremos tudo que vemos no outro, enquanto não nos rendermos e nos
entregarmos.
No primeiro momento da
rendição e entrega, podemos atribuir qualidades terríveis a nós mesmos. Esse
primeiro grau de evolução nos coloca aptos a não julgarmos mais o outro.
Contudo a mente ainda está lá, sussurrando toda sorte de adjetivos sombrios
sobre quem somos.
A mente derrotada
tentará nos enfraquecer, até que ela se fortaleça e volte a nos incitar em
julgar o outro novamente. A mente só vê o lado de fora, ela sobrevive e se
alimenta de nossa distração, de nossa inconsciência.
No fundo, o que
queremos é a felicidade. E podemos ser felizes cuidando de nós mesmos. Ao
cuidarmos de nós mesmos, ao nos amarmos e nos aceitarmos, surge um campo de
harmonia e paz, que transforma nossa vida. Quando desistimos de manipular quem
amamos, e aceitamos as pessoas, nossa própria vida é afetada positivamente, em
todos os aspectos.
Temos a opção de viver
nessa paz revigorante. É possível e é algo que se faz intimamente, com uma
decisão consistente em acordar.
Há, contudo a opção do
conflito, da dor, do medo e de tentar controlar as decisões dos outros. Você só
pode ser livre através de você mesmo, mas primeiro precisará aprender como se
libertar da ilusão de que é o outro que o libertará.
Sucesso e paz.
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Sobre o Autor
Marcelo Ferrão é autor e diretor de cinema e TV. Iniciou sua
trajetória na direção de videoclipes musicais
e documentários institucionais.
Há mais de 20 anos é pesquisador de conteúdos sobre
desenvolvimento e consciência humana.
Dirigiu o filme Você Atrai
O Que Transmite. É o primeiro diretor brasileiro especialista neste gênero
cinematográfico.
Escreveu os livros O
Primeiro Trilho e O Segundo Trilho.
Também é autor do livro e audiolivro A
Vida Não Tem Segredo, com Aldo Novak.
Para TV, produziu e dirigiu especiais musicais, shows e
dezenas de documentários sobre saúde e comportamento.
Sua trajetória segue o propósito de elevar o nível de
consciência das pessoas acerca de si mesmas e de suas potencialidades.
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