Moralidade Ocidental - Mulher Brasileira
Ver PDF | Prever Artigo
by: gehspace
Numero Total de Visualizações: 218
Número de Palavras: 937
Segundo Vasconcelos (2005), na sociedade brasileira o poder familiar sempre imperou nas mãos do homem. Foi a família patriarcal a célula mais importante da formação de sociedade brasileira. Esta organização perdurou no Brasil até meados do século XIX. Os direitos civis no Brasil, basicamente, até 1890, eram uma extensão dos de Portugal. O primeiro Código Civil Brasileiro só entrou em vigor a partir de 1917. De modo geral, nossas Constituições limitavam-se a afirmar o princípio de igualdade, mas a realidade era bem diferente.
A monogamia foi criada para preservar o poderio econômico dentro de um mesmo grupo sangüíneo. Por este motivo a sexualidade feminina era rigorosamente controlada, pois esta era a única forma de que o homem dispunha para assegurar a paternidade. Tornou-se , portanto, indispensável valorizar o papel da esposa, tornando-se a fidelidade da mulher fator preponderante em uma união e punições deveriam ser aplicadas àquelas que não cumprisse com este dever. O adultério feminino era punido com mais rigor que o masculino. O homem considerava a fidelidade da mulher como parte da sua honra para e, por isso, passou a ter o direito de vida e de morte sobre ela. Essa ideologia trouxe um aumento no número de mortes e na violência doméstica em geral.
Barbosa (2005) afirma que o debate político público sobre a moralidade sexual, o casamento e as relações entre gêneros, no início do século XX, pretendia assegurar o engajamento das mulheres e da família nas tarefas de reprodução social, segundo o interesse dos governantes.
Do ponto de vista econômico o trabalho feminino foi cada vez mais necessário para a economia familiar. Mas o problema para o Estado consistia em como conciliar o emprego feminino com a função de ligar as mulheres com seus deveres familiares e a preservar a divisão sexual do trabalho familiar. O emprego feminino deveria somente complementar o trabalho masculino, com salários mais baixos, para não "violentar" sua feminilidade e seu papel doméstico.
Conclusão
Desde o início do cristianismo a mulher era tratada como ser inferior. Em vários momentos ela foi e de certa forma é ainda controlada por instituições como a Família, a Igreja e o Estado. Onde estão os direitos de igualdade? Muito destes direitos já foram adquiridos, mas até quanto essa "falsa liberdade moral" continuará? Por que muitas mulheres se sujeitam a esse esquema, ou a pergunta deveria ser, o que elas ganham com isso? O que fazer pra mudar? Será que queremos realmente que mude? Queimaremos novamente sutiãs? Na verdade, acho que devemos mergulhar em nós mesmas e descobrir as possíveis respostas: talvez a mudança encontre-se no nosso próprio conceito de moralidade.
BARBOSA, Regina Helena Simões. Mulheres, reprodução e aids: as tramas da ideologia na assistência à saúde de gestantes HIV+. Disponível em: <http://portalteses.cict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&id=00006703&lng=pt&nrm=iso> . Acessado em: 21 ago. 2005.
VASCONCELOS, Eliane. Não as matem. Disponível em: <http://www.casaruibarbosa.gov.br/eliane_vasconcelos/Agulha/main_agulha.html>. Acessado em: 21 ago. 2005.
Publicado Originalmente na Revista Sexualidade
Sobre o Autor
Géssica Hellmann é Profissional de Mídia Social, Designer, Artista Plástica e pesquisadora da relação entre Arte, Sexualidade e Corporalidade.
Rating: Sem votação

